terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Conservação de habitats e espécies protegidas degradou-se, diz associação.

A conservação dos habitats e espécies protegidos no âmbito da Rede Natura 2000 degradou-se nos últimos anos, segundo um relatório para o período 2013-2018.
Foto Lusa
Os dados, numa análise hoje divulgada pela associação ambientalista Zero, fazem parte do 4.º Relatório Nacional de Aplicação da Diretiva Habitats, feito de seis em seis anos em todos os Estados-membros da União Europeia e destinado a avaliar os progressos alcançados.
A Rede Natura 2000 é uma rede europeia de conservação ou restabelecimento dos habitats naturais e da flora e fauna ameaçadas e resulta da transposição de duas diretivas. Portugal tem 107 áreas classificadas no âmbito da Rede Natura 2000 (62 delas Zonas de Proteção Especial, destinadas à proteção de aves selvagens).
De acordo com a Zero, dados relativos a 99 habitats protegidos indicam que face ao período anterior (2007-2012) houve "uma ligeira degradação no estado de conservação".
E a associação explica: o conjunto de habitats classificados com estatuto (desfavorável) inadequado e mau é agora de 72% do total face aos 66% verificados no período de 2007-2012, sendo de realçar que os habitats em mau estado de conservação passaram de 6% para 29% do total.
Segundo a mesma fonte apenas 24% dos habitats são agora avaliados como em estado de conservação favorável (30% no período 2007-2012) e para 4% não existem dados suficientes.
Quanto às 217 espécies avaliadas (plantas, invertebrados, peixes, anfíbios, répteis e mamíferos), ainda que não haja uma comparação exata, os dados indicam que com o estatuto de desfavorável de inadequado e mau estão 42% do total (mais do que no período anterior), e que as avaliações favoráveis melhoraram.
Quanto "às tendências relativamente aos habitats avaliados com estatuto desfavorável (inadequado e mau), antecipa-se para a generalidade dos habitats, com exceção dos habitats rochosos e grutas, uma dinâmica negativa em 79% dos casos, quando no período 2007-2012 o valor se situava nos 29%", diz a Zero.
Os habitats dunares são os que apresentam uma tendência mais negativa, seguindo-se os matos adaptados a grandes períodos de seca e calor, as turfeiras, os pântanos e as florestas.
Ainda de acordo com a Zero também para as espécies há uma tendência para a deterioração, com os peixes e moluscos a parecerem ser os grupos mais vulneráveis.
As maiores pressões sobre os habitats são as espécies exóticas invasoras, seguindo-se a agricultura, e a alteração do uso do solo. Nas espécies as maiores pressões são a alteração do uso do solo (para construção por exemplo), a agricultura e só depois as espécies invasoras.
No comunicado a Zero refere também a fraca qualidade dos dados, com Portugal a ser um dos dois países (o outro a Croácia) que menos informação possui sobre os seus habitats e espécies.
A associação propõe que sejam de facto implementadas as medidas públicas existentes e que se reformule o papel do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), "tornando-o um organismo proativo", que identifique corretamente as prioridades de intervenção e avalie de forma rigorosa as necessidades de investimento.
São necessárias, diz também, verbas adequadas para o setor da conservação de espécies e habitats, garantindo-se ao mesmo tempo que os incentivos públicos a setores como agricultura, pescas ou empresas não induzam a destruição do património natural.
A associação considera prioritárias verbas para a conservação do lobo-ibérico, do saramugo (peixe), das aves necrófagas, das aves estepárias, dos morcegos, dos bivalves de água doce, da flora em perigo e das turfeiras, em particular as turfeiras sublitorais.
Conservação de habitats e espécies protegidas degradou-se, diz associação.

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